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Deus aguenta sua honestidade

“A minha vida só me dá desgosto; por isso, darei vazão à minha queixa e me expressarei com a alma amargurada.”Jó 10:1

Existe uma ILUSÃO religiosa silenciosa e muito bem comportada que diz: Deus quer ouvir gratidão, louvor e fé declarada. Que a oração CERTA é aquela que soa forte, confiante e sem dúvida. Que admitir desgosto é falta de fé. Que nomear a dor em voz alta é ingratidão.

Jó destruiu essa ilusão em uma frase. “A minha vida só me dá desgosto.” Não é o desabafo de alguém fraco, e o diagnóstico HONESTO de alguém que se recusou a PERFORMAR uma fé para os outros que não CORRESPONDIA ao que estava vivendo por dentro.

Jó não FINGIU, não ajustou a narrativa, não disse “estou bem” quando estava destruído. E Deus ouviu, respondeu e ao final disse que Jó havia falado o que era CERTO.

A FONTE não é frágil, ela aguenta o peso da SUA verdade. O que ela não sustenta é a performance vazia, a gratidão fabricada, o louvor que esconde amargura enquanto a amargura te devora por dentro.

O problema não é sentir desgosto, e interpretar o desgosto como sentença final. O sofrimento não é o fim, é o MEIO. O desgosto revela onde há desalinhamento entre o que VOCÊ É e o que está vivendo. Ignorar isso não cura, adoece. O que não é iluminado, permanece em TREVAS e como assombração.

Existe um esgotamento que milhões de pessoas sentem mas poucos dizem em voz alta. Não é apenas físico, é existencial. É o cansaço de viver sem FRUTO, de fazer muito e colher pouco SIGNIFICADO, de estar presente em tudo e inteiro em nada. De sorrir na SUPERFÍCIE enquanto algo por dentro foi ficando pesado, seco e sem direção.

Jó não estava fraco, estava fora do seu EIXO, do seu FLUXO, e teve a lucidez de nomear isso sem disfarce. Nomear a dor não é o mesmo que RECLAMAR. Reclamação é hábito, é lente, é o filtro que treina a mente para enxergar apenas o que FLATA. Nomear a dor com honestidade é diferente, é o primeiro movimento de quem se recusa a ser governado por algo que ainda não teve voz.

ILUMINAR a dor é o começo do realinhamento, não a prova do fracasso. A pergunta que Jó nos deixa não é teológica. É existencial.

O que você tem carregado sem nomear? Qual desgosto você tem disfarçado de gratidão para não parecer fraco? E o que você ainda não disse em voz alta porque acredita que Deus, ou as pessoas ao seu redor, não aguentariam ouvir? A FONTE aguenta. A questão é se você aguenta ser honesto.

Leia a Bíblia como uma carta de AMOR.

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Ricardo Rocha

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