Ricardo Rocha

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Qual a qualidade do seu crescimento?

Vivemos tempos da síndrome do crescimento. Inúmeras metodologias estratégias foram criadas para hackear o crescimento e prometem resultados próximos de milagre.

Entretanto, o crescimento que é prometido, usa estratégias que viabilizam o que chamamos de TOP LINE, mas não se comprometem com o BOTTOM LINE. Sim o crescimento prometido é alcançado mas é totalmente ARTIFICIAL.

Assistimos a essa metodologia praticada nos últimos anos por inúmeras startups. Cresceram de forma quase milagrosa e apresentaram números impressionantes.

Mais impressionante do que o seu crescimento foi a derrocada quando a crise chegou. A CRISE é o teste de CONSISTÊNCIA tanto dos negócios quanto das pessoas e é nesse momento que a QUALIDADE do que construímos se revela. Quando a crise sacode, permanece de pé o que é REAL.

A crise funciona como fogo purificador no ouro. Se um objeto aparenta brilho mas a sua consistência não é de um metal precioso que suporta essa alta temperatura ao final da purificação teremos NADA.

E foi isso que aconteceu e ainda está acontecendo com muitas empresas que são apenas fumaça. Inflaram o seu crescimento e produziram uma visibilidade impressionante mas sem SUSTENTABILIDADE e consistência. Não há QUALIDADE do seu crescimento, modelo de negócio e base de clientes.

A relação criada por essas startups com o mercado e seus clientes é TRANSACIONAL e TÓXICA. Enquanto o capital disponível financiava artificialmente os benefícios dessa relação, ela se manteve. Quando o capital ficou indisponível e acabou fim do negócio.

Portanto não havia virtude e consistência nos modelos, apenas um mecanismo alimentado pela ganância e nutrido pelo dinheiro que estava disponível. A combinação de ganância e dinheiro resultou em negócios de VOLUME, porém INCONSISTENTES.

A visibilidade e o volume saciam a vaidade e respondem a ganância, porém a INCONSISTÊNCIA compromete a PERENIDADE. Fábula funcionou por um tempo mas o pesadelo foi a consequência.

Todo esse cenário aconteceu há pouco tempo com a crise dos capitais de risco. O que podemos aprender com todos esses exemplos? Crescer a qualquer custo faz sentido? Crescer de forma irresponsável faz sentido? Crescer é a única coisa que importa?

É hora de reflexão…

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Fabian
Fabian
2 meses atrás

Essa é a cultura do curto-prazo. Executivos de todos os tipos, muitos com salários exorbitantes, se vangloriam de ter alcançado resultados fantásticos em em 1 ou 2 anos, colocam estes resultados em seus currículos, e “partem para a próxima”. Sabem que deixaram uma bomba-relógio na empresa que deixaram. Sabem que suas escolhas de curto-prazo trarão impactos negativos sérios no médio-prazo, mas não se importam, pois a culpa estará com quem ficou. “Quando eu saí, deixei a empresa no positivo”, dizem. Como seria bom ter um mecanismo que remunerasse estes executivos somente por resultados de longo-prazo. Há uma obra que gosto muito, “O Andar do Bêbado”, de Leonard Mlodinow, que apresenta uma teoria interessante. Estatisticamente, no longo-prazo, estes resultados não representam nada de especial, não demonstram nenhuma competência particular. Representam apenas sorte. No long-run, a empresa teria properado – ou falido – do mesmo jeito, não pela ação daquele executivo, mas pelo seu “DNA”. Será?

Ricardo Rocha

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